Uso racional na Província Patamarizada – Bacia Hidrográfica Paraná III
06/09/2021 - 14:03

Gustavo Ribas Curcio1, Mauricio Kacharouski2, Andrei Luan Petry3

 

A Província Patamarizada na BHP III se destaca pelos relevos muito dissecados que a compõe, onde se alternam classes de declive bem acentuadas, normalmente ocupados por solos férteis, rasos a pouco profundos, ensejando paisagens muito susceptíveis à erosão (Figura 1).

Sua atual maior utilização são as pastagens, entremeadas por pequenas áreas com uso agrícola, sendo estas localizadas nas porções de menor declive, mais especificamente em Nitossolos e Luvissolos (Figura 2).

Figura 1 – Paisagem típica da Província Patamarizada.
Figura 1 – Paisagem típica da Província Patamarizada.

 

Figura 2 – Pastagem degradada.
Figura 2 – Pastagem degradada.

Conforme citado, as pastagens detêm a maior parte da área, porém verifica-se uma exploração dominantemente intensiva, desprovida de técnicas de manejo que possibilitem minimizar o processo erosivo que assola fortemente a província.

As partes mais íngremes da província são constituídas por Neossolos Regolíticos (Figura 3) e Litólicos (Figura 4), derivados de rochas eruptivas básicas, os quais promovem a recarga iônica dos solos que se encontram a jusante em função de suas pequenas espessuras e da grande quantidade de calhaus e matacões em avançado estágio de intemperismo.

Figura 3 – Neossolo Regolítico.
Figura 3 – Neossolo Regolítico.

 

Figura 4 – Neossolo Litólico.
Figura 4 – Neossolo Litólico.

No entanto, o aproveitamento racional de íons para estas condições ainda carece de melhor planejamento para o estabelecimento das pastagens, sobretudo, ao que se refere à disposição espacial destas e a constituição dos elementos que as formam – pastos, saleiros, bebedouros, rochas, pedras, árvores, terraços e suas plurais combinações – todas, na medida do possível, induzindo ao deslocamento do gado de forma transversal aos fluxos hídricos. Evidentemente que ambientes constituídos por relevos montanhosos e escarpados deveriam ter destinação para preservação de fauna e flora, garantindo funções ecológicas primárias.

A implantação planejada de árvores nativas em pastagens sobre solos rasos, além de proporcionar a conservação destes, pode favorecer ao tamponamento iônico da paisagem e ao embelezamento destas áreas, assim como contribuir para o conforto térmico dos animais. Na Figura 5 é possível observar uma pastagem com arbóreas residuais da antiga floresta proporcionando sombra para o gado, embora ainda de forma deficitária.

O produtor que desfruta destes conceitos tem em sua propriedade uma diversificação de renda, maiores rendimentos, bem como pode gerar subsistência de madeira para consumo próprio, seja de madeira serrada, lenha, entre outros produtos madeiráveis (Figura 6), todos dependentes de seu planejamento.

Figura 5 – Arbóreas em pastagem sobre Neossolos Regolítico e Litólico, Província Patamarizada.
Figura 5 – Arbóreas em pastagem sobre Neossolos Regolítico e Litólico, Província Patamarizada.

 

Figura 6 – Baú de peroba-rosa.
Figura 6 – Baú de peroba-rosa.

A busca por informações a respeito deste tema vem aumentando, tanto por técnicos quanto produtores, o que denota uma crescente conscientização sobre o manejo correto destas áreas que nos trazem tantos benefícios.

 

1 – Pesquisador da Embrapa Florestas – gustavo.curcio@embrapa.br

2 – Técnico da FAPED – mkacharouski@gmail.com

3 – Técnico da FAPED – andrei.petry@outlook.com

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