Gado Purunã terá produção de embriões em laboratório para acelerar melhoramento genético 17/08/2026 - 11:35
A Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) lançaram no mês de agosto deste ano em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, um projeto de pesquisa que prevê a produção de embriões da raça Purunã em laboratório. O estudo representa uma nova fase no melhoramento genético da raça desenvolvida no Estado, com o objetivo de multiplicar animais de alto valor genético e ampliar a oferta de reprodutores para os pecuaristas.
A pesquisa, que tem duração prevista de quatro anos, será desenvolvida pela UENP em parceria com o IDR-Paraná e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). A iniciativa receberá o financiamento de R$ 4,45 milhões do Fundo Paraná, uma dotação constitucional de fomento científico e tecnológico. O projeto prevê a implantação de dois laboratórios de produção in vitro de embriões, uma técnica de reprodução assistida focada no melhoramento genético acelerado do rebanho, que permitirá a produção de 4.500 embriões ao longo de três anos.
Para o professor da UENP Bruno Galindo, o projeto representa um avanço na aplicação da ciência genômica à pecuária paranaense. "A reprodução assistida combinada com a seleção genômica permite um salto qualitativo no melhoramento animal, com redução do intervalo de gerações e maior precisão na escolha de animais superiores. Essa é uma aplicação concreta do conhecimento científico para gerar impacto direto no setor produtivo, com ganhos de produtividade e sustentabilidade para a cadeia da carne bovina", afirma o pesquisador. “A produção in vitro de embriões é estratégica para acelerar a formação, a multiplicação e a disseminação da genética superior da raça Purunã, uma vez que permite a passagem de um modelo tradicional de melhoramento, baseado principalmente na seleção e reprodução convencional, para um modelo de melhoramento de precisão e multiplicação acelerada”, reforça o zootecnista do IDR-Paraná, José Luis Moletta.
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Os laboratórios ficarão nos campi da UENP de Bandeirantes, no Norte do Estado, e da UFPR de Palotina, na região Oeste. Por meio da seleção genômica dos melhores animais do rebanho Purunã, serão escolhidos touros e matrizes que se destacam em características produtivas e de resistência a carrapatos para a produção de embriões de alto valor genético. Esse material seguirá para propriedades parceiras, que fornecerão dados dos animais nascidos para aprimorar as avaliações genéticas.
O projeto também conta com parcerias internacionais das universidades de Guelph, no Canadá, e da Geórgia, nos Estados Unidos, que colaborarão com o desenvolvimento de pesquisas em genética e melhoramento animal. A expectativa é beneficiar criadores da raça, cooperativas e produtores de leite interessados em diversificar a renda com bezerros de alto valor agregado, ampliando a oferta de reprodutores de alto valor genético para o rebanho paranaense e outros estados brasileiros.
RAÇA PARANAENSE – O gado Purunã reúne características de quatro raças bovinas de corte: Canchim, Charolês, Aberdeen Angus e Caracu; e se destaca pela adaptabilidade a diferentes climas, resistência a parasitas e qualidade da carne. Desenvolvido pelo IDR-Paraná ao longo de mais de três décadas, o animal é resultado de estudos científicos conduzidos por pesquisadores de instituições públicas de ensino e pesquisa do Estado. O melhoramento genético da raça tem potencial para agregar valor e qualidade à cadeia produtiva da carne bovina no Brasil.
QUATRO RAÇAS FORMADORAS
Caracu
A raça é resultado de cruzamentos e seleção entre os primeiros bovinos trazidos ao Brasil no período colonial. O rebanho Caracu da Fazenda-Modelo, constituído praticamente junto com a instalação desse centro de pesquisa, no início do século passado, foi aperfeiçoado ao longo dos anos com exemplares de criadores do Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e do Instituto de Zootecnia de São Paulo – entidade que, desde 1909, atua no aprimoramento desta raça.
Charolês
Raça originária da França, teve os primeiros reprodutores importados pelo governo brasileiro em 1885. Outras aquisições foram feitas na década de 1920, visando os cruzamentos – com animais Indubrasil, Guzerá e Nelore – para a formação do Canchim. O rebanho da Fazenda-Modelo foi estruturado em 1976 e vem sendo aperfeiçoado com a aquisição de exemplares selecionados de rebanhos do Rio Grande do Sul e uso de sêmen importado da Argentina, França, Canadá e Estados Unidos.
Canchim
Quando iniciou o projeto do Purunã, a Fazenda-Modelo já dispunha de um rebanho Canchim, constituído por meio de intercâmbio com a Fazenda de Criação de São Carlos – SP, do Ministério da Agricultura, onde a formação desta raça – a partir de cruzamentos entre Charolês e raças zebuínas – foi iniciada na década de 1940.
Aberdeen Angus
Considerada uma das raças mais antigas do mundo, tem origem na região de Aberdeenshire e Angus, na Escócia. A raça chegou ao Brasil em 1906, trazida por criadores gaúchos. O plantel da Fazenda-Modelo é formado por exemplares adquiridos inicialmente na região de Ponta Grossa – PR, Rio Grande do Sul e aprimorado a partir de sêmen de touros estrangeiros, com resultados de teste de progênie conhecidos.



