O engenheiro-agrônomo ajuda a transformar a agropecuária paranaense 12/10/2026 - 12:58
Com formação multidisciplinar e vasta área de atuação, esses profissionais têm participação decisiva no desenvolvimento do meio rural
Celebrado em 12 de outubro, o Dia do Engenheiro-agrônomo é uma oportunidade para reconhecer a importância desses profissionais no desenvolvimento da agropecuária. Sua atuação abrange praticamente todas as etapas da atividade, da coleta de amostras para análise do solo ao uso da biotecnologia no desenvolvimento de novas cultivares, do planejamento de propriedades rurais à formulação de políticas públicas voltadas ao aumento da produtividade, à geração de renda e à redução dos impactos ambientais.
A formação multidisciplinar é uma das características da profissão. Conhecimentos de biologia, química, física, genética, ciência do solo, climatologia, economia e gestão permitem ao engenheiro-agrônomo compreender as relações entre produção, ambiente e mercado e atuar em diferentes áreas do setor agropecuário.
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No IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná — Iapar-Emater), engenheiros-agrônomos integram equipes responsáveis pela geração, adaptação e difusão de tecnologias, além de orientar agricultores na busca por sistemas produtivos mais eficientes, rentáveis e sustentáveis.
Essa contribuição se reflete na evolução das práticas agrícolas, na diversificação das atividades rurais e no fortalecimento de cadeias produtivas que movimentam a economia e geram milhares de empregos no Paraná, um dos principais polos agropecuários do Brasil.
“O desafio na pesquisa, por exemplo, é usar o método científico para resolver problemas, gerar conhecimento e tecnologias que possam ser utilizadas pelos agricultores”, afirma a engenheira-agrônoma Vania Moda Cirino, diretora de pesquisa e inovação do IDR-Paraná.
Na instituição, esses profissionais desenvolvem estudos em áreas como melhoramento genético, propagação vegetal, manejo e conservação do solo, fitossanidade, agrometeorologia, fisiologia vegetal, sistemas integrados de produção, mecanização e agricultura de precisão. O trabalho envolve experimentos de campo, análises laboratoriais, avaliação de resultados e produção de informações técnicas e científicas.
Um dos principais diferenciais do IDR-Paraná, porém, está na integração entre pesquisa e extensão rural. Enquanto pesquisadores investigam problemas, desenvolvem tecnologias e avaliam alternativas para os sistemas produtivos, os extensionistas trabalham diretamente com os agricultores, orientando a aplicação do conhecimento e identificando questões que podem dar origem a novos estudos.
Além de orientar práticas de cultivo e manejo, os extensionistas auxiliam no planejamento das atividades, na gestão econômica das propriedades, na organização dos produtores e no acesso a políticas públicas. Para isso, precisam aliar conhecimento técnico à capacidade de comunicação, escuta e compreensão da realidade rural. Afinal, a adoção de uma tecnologia depende não apenas de sua eficiência agronômica, mas também da viabilidade econômica e das condições de cada agricultor.
“O trabalho do extensionista exige conhecer a realidade de cada família e construir soluções em conjunto. Uma mudança simples no manejo ou na organização da propriedade pode gerar um grande avanço na renda e na qualidade de vida. É essa proximidade com os agricultores que dá sentido ao nosso trabalho”, explica o Paulo Eduardo Sipoli Pereira, diretor de extensão rural do IDR-Paraná e engenheiro-agrônomo
O diálogo entre pesquisadores, extensionistas e agricultores permite aperfeiçoar recomendações e desenvolver soluções adequadas às diferentes realidades do campo.
RESULTADOS — A contribuição desses profissionais, em conjunto com especialistas de outras áreas, pode ser observada tanto nas tecnologias desenvolvidas quanto nos benefícios proporcionados aos agricultores e às comunidades rurais.
O Balanço Social do IDR-Paraná oferece uma dimensão desses resultados. Na avaliação referente a 2023, foram consideradas 73 ações de pesquisa agropecuária, extensão rural e logística, com impactos econômicos, sociais e ambientais. O estudo apontou retorno superior a R$ 7 para a sociedade a cada R$ 1 investido na instituição.
Entre os exemplos avaliados estão tecnologias voltadas à conservação do solo, ao aumento da produtividade, à redução dos custos de produção e à melhoria do desempenho econômico das propriedades. São iniciativas que demonstram como o investimento em ciência e orientação técnica gera benefícios que ultrapassam os limites das unidades produtivas.
NOVOS DESAFIOS — Se o conhecimento agronômico foi decisivo para as transformações ocorridas nas últimas décadas, sua importância tende a crescer diante das novas exigências da agropecuária.
A maior frequência de eventos climáticos extremos, a necessidade de preservar recursos naturais, as demandas dos mercados consumidores e a busca por sistemas economicamente viáveis exigem soluções cada vez mais complexas. Ao mesmo tempo, o avanço das ferramentas digitais e da biotecnologia abre novas possibilidades para o planejamento e a condução das atividades rurais.
“O profissional do futuro precisará, além de uma boa formação técnica, ter uma visão mais ampla. Precisará entender de gestão, de pessoas, de tecnologia, de negócios, de sustentabilidade e de novas oportunidades que surgem dentro da própria transformação do agro, sem perder a essência técnica da agronomia”, afirma Renato Arantes, presidente da Associação dos Engenheiros-agrônomos de Londrina.



