IDR-Paraná garante qualidade da soja, farelo e milho embarcados no Porto de Paranaguá 30/03/2026 - 12:28

A presença do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) no Porto de Paranaguá, Litoral do Estado, é um pilar estratégico para o agronegócio paranaense, consolidando a confiança dos mercados mais exigentes do mundo. O órgão é o responsável por auditar a recepção e o controle de qualidade das cargas de soja, milho e farelo de soja que chegam no Pátio de Triagem e, também, pela classificação desses produtos transportados por linha férrea.

Historicamente, essa atuação teve início ainda em meados dos anos 80, sob o legado da antiga Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar), sendo fundamental para a padronização dos grãos e a garantia de que a carga embarcada nos navios segue todos os padrões de qualidade exigidos. 

No intenso fluxo logístico do Pátio de Triagem, por onde os caminhões têm passagem obrigatória para poderem descarregar no porto, o IDR-Paraná atua como braço fiscalizador. Uma empresa privada contratada pela Associação dos Terminais do Corredor de Exportação de Paranaguá (ATEXP) executa o serviço operacional de controle de qualidade e coleta de amostras nos milhares de caminhões que chegam diariamente. O IDR-PR desempenha o papel crucial de auditagem, como “olho do Estado” no porto, garantindo que as análises feitas pela iniciativa privada sigam rigorosamente as normas vigentes, assegurando justiça na classificação tanto para quem produz quanto para quem compra.

O coordenador do Pátio de Triagem, Bruno de Paula Guimarães, da empresa pública Portos do Paraná, explica que a classificação tem um papel decisivo para a qualidade da exportação. “Os caminhões devem passar obrigatoriamente pelo pátio e garantir a qualidade da sua carga. Caminhão por caminhão é analisado e feita uma coleta de amostra para análise. Caso essa carga esteja apta, ela segue com destino ao Corredor de Exportação", informa. "E o papel do IDR-Paraná é fundamental para auditar o trabalho da empresa classificadora e garantir que os procedimentos e normas de confiabilidade exigidos estejam sendo seguidos em todo o processo”, ressalta Guimarães. 

Diferente do sistema rodoviário, o serviço de classificação no setor ferroviário é de responsabilidade integral do IDR-Paraná, que conta com parcerias de controladoras privadas. O Instituto mantém as suas equipes técnicas operando diretamente na área de trens, auditando o processo da classificação realizada pelas empresas privadas controladoras credenciadas por ele. O volume de carga é massivo e exige precisão absoluta. Essa atuação direta do Estado no modal ferroviário garante que o fluxo de grandes composições carregadas com soja, milho e farelo mantenham a conformidade técnica necessária para o abastecimento dos navios, sem margem para erros.

MODELO DIFERENCIADO - Segundo o gestor da qualidade e classificação do IDR-Paraná, Wagner Spirandelli, o Porto de Paranaguá é diferente dos demais portos do Brasil por ser o único a contar com o sistema “pool” de exportação. “O modelo logístico é voltado para que os grãos e farelos sigam até os navios através do Corredor de Exportação. Isso consiste em fazer estoques de grãos para que o embarque receba os produtos de todos os terminais de origens diferentes. Para que a qualidade não se perca, foi criado o mecanismo de controle da qualidade na formação dos estoques de exportação para ambos os modais de transporte. No transporte ferroviário o IDR-Paraná responde plenamente pela qualidade. Ele é o responsável final de recepção dos estoques que vem por ali”, explica Spirandelli. 

INFRAESTRUTURA DE PONTA - Para sustentar esse rigor técnico, o IDR-Paraná mantém uma infraestrutura de ponta dentro do complexo portuário. Além de manter equipes presentes 24 horas em pontos de atuação no Pátio de Triagem e no setor ferroviário, há em Paranaguá um laboratório especializado nas análises de amostras, com laboratoristas de quadro próprio. Neste centro tecnológico são realizados testes físico-químicos detalhados que vão além da simples classificação visual dos grãos. O laboratório é o responsável por certificar a qualidade intrínseca do produto, como o teor de proteínas totais, gordura residual e umidade, como principais ensaios, assegurando que os padrões exigidos pelos contratos internacionais sejam atendidos antes do embarque.

“Fazemos a análise completa do farelo”, conta a laboratorista do IDR-Paraná, Juliana Costa. “Quando chega a amostra, que pode ser de um lote ou de apenas um caminhão ou vagão, processamos a moagem, depois pesamos, testamos a quantidade de proteína, umidade, gordura, presença de fibra, cinzas e até de areia presente na amostra. A responsabilidade é grande. Querendo ou não, são os nomes do Paraná e do Brasil que estão indo junto com a carga exportada. Sempre buscamos mandar o melhor farelo possível para fora”, finaliza. 

Um dos diferenciais competitivos assegurados pelo laboratório é a análise precisa dos níveis de proteína no farelo de soja. Em um cenário global onde a nutrição animal e humana demanda especificações exatas, garantir a quantidade de proteína em conformidade com as exigências internacionais é o que diferencia o produto paranaense em mercados “premium”, como o europeu e o asiático.

POUCAS INTERCORRÊNCIAS - Atuando no porto há 37 anos, o técnico de classificação do IDR-Paraná, Nilton Cezar Gonçalves, que começou a carreira na operação coletando grãos e hoje coordena o trabalho, diz que a presença das equipes técnicas no local auxilia a manter o diferencial competitivo dos produtos paranaenses. “Intercorrências com cargas fora do padrão hoje são muito pontuais e aleatórias, com uma resposta muito rápida da equipe, inclusive quando há um ou outro caso de suspeita de crime. Temos parceria com o Ministério da Agricultura, com a Polícia Federal, autoridades portuárias, Polícia Militar e Guarda Municipal que agem prontamente. Nossos técnicos também são muito experientes, com capacidade de identificar qualquer anomalia de uma carga de imediato”, destaca Gonçalves.

TRIAGEM - A fiscalização rigorosa, que abrange soja, milho e farelo de soja, previne perdas econômicas e protege a reputação do Paraná. E o trabalho se reflete em números. Em 2025, o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá atingiu um novo recorde ao receber 507.915 caminhões, o que representou 29,5% a mais do que em 2024 (392.214). O local conta com 330 mil m² e mil vagas de estacionamento.

Outro recorde atingido pela unidade no último ano foi o de movimentação diária. Em 24 horas, entre os dias 21 e 22 de julho, 2.523 caminhões carregados de grãos e farelos passaram pelo pátio, 4% a mais do que o recorde anterior, registrado em julho de 2023, quando 2.456 veículos acessaram o local. O marco superou, com sucesso, a projeção de atendimento da unidade, que é de 2.500 caminhões.

Todo esse fluxo é meticulosamente controlado pelo sistema Carga Online, que informa às empresas o dia e a janela de horário em que o caminhão poderá acessar a triagem. Isso evita que os veículos trafeguem pelas rodovias de forma antecipada, fazendo paradas desnecessárias, que podem gerar filas ou lentidão no tráfego. O mesmo sistema controla a destinação dos caminhões aos terminais exportadores, evitando impactos no trânsito da região portuária.

Em 2025, a commodity que mais movimentou o Pátio de Triagem foi a soja em grão. Mais de 61% dos caminhões (306.801) que acessaram a unidade estavam carregados com o produto. O farelo de soja ficou em segundo lugar, com 24,5% (122.647 caminhões), seguido pelo milho (69.978 caminhões). Os meses de março e julho registraram os maiores volumes de veículos.

Segundo a Portos do Paraná, foram as estratégias logísticas no Pátio de Triagem que permitiram esse fluxo, com uma operação mais ágil até o embarque das cargas. Outro fator responsável pelo movimento mais intenso no pátio, conforme a Portos do Paraná, foi a maior capacidade de embarque dos navios em uma única operação, em razão do aumento do calado operacional — distância entre a superfície da água e o ponto mais profundo da embarcação. Em setembro de 2025, houve um aumento do calado operacional nos berços de granéis sólidos, que passou de 13,1 metros para 13,3 metros. A ampliação permitiu um crescimento médio de até 1,5 mil toneladas por navio.

É assim que as commodities exportadas pelo Porto de Paranaguá recebem prêmio na cotação pela Bolsa de Valores de Chicago (NYSE Chicago), alavancadas pelo tripé: agilidade nos embarques de navios, confiança no peso e garantia da qualidade contratada.