IDR-Paraná lança ferramentas digitais na Expolondrina 17/04/2026 - 08:59
O IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater) entregou ao setor produtivo um conjunto de soluções digitais para apoiar produtores, técnicos e extensionistas no manejo mais eficiente e sustentável das lavouras. O lançamento ocorreu na manhã de quinta-feira (16) na ExpoLondrina 2026, em solenidade realizada na Arena Futuro do Pavilhão SmartAgro.
Foram apresentadas duas plataformas on-line voltadas à recomendação de adubação com resíduos da produção animal , o Sirdes (Sistema de recomendação de adubação com dejetos de suínos) e o Sirca (Sistema de recomendação de adubação com cama de aviário), além de um aplicativo para dispositivos móveis Guia de Identificação de Pragas do Feijão (GID Pragas do Feijão). Todas as ferramentas têm acesso gratuito. Essas inovações resultam de décadas de estudos em busca de soluções práticas com potencial para reduzir custos, aumentar a produtividade e minimizar impactos ambientais.
“É conhecimento científico em ferramentas acessíveis ao produtor e ao técnico. Isso amplia a eficiência das decisões no campo e fortalece uma agricultura mais sustentável e competitiva”, afirmou a diretora de pesquisa e inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino. “A oferta de recursos gratuitos e baseados em pesquisa pública contribui para democratizar o acesso a informações de qualidade”, acrescentou.
SIRDES/SIRCA - As plataformas foram desenvolvidas para apoiar produtores, técnicos e consultores na tarefa de decidir quanto de resíduo aplicar nas lavouras. O Sirdes, direcionado ao uso de dejetos líquidos de suínos, e o Sirca, voltado à aplicação de cama de aviário, transformam dados técnicos em recomendações práticas e seguras, com o objetivo de proporcionar mais eficiência ao aproveitamento de nutrientes, redução dos custos com adubação mineral e mitigação de riscos ambientais.
“O Brasil é um grande exportador de alimentos, mas tem uma dependência muito alta de fertilizantes importados. Uma das saídas é aproveitar as fontes regionais de nutrientes, como os dejetos de suínos e a cama de aviário, que o Paraná tem em abundância”, afirmou o pesquisador do IDR-Paraná Luís Antonio Zanão Jr.
De acordo com o pesquisador, além do potencial econômico, esses materiais apresentam elevado interesse agronômico. “Eles contêm macro e micronutrientes, matéria orgânica e até microrganismos benéficos, o que não encontramos em fertilizantes minerais isolados”, explicou.
Zanão Jr. ressaltou, porém, que o uso inadequado pode trazer riscos, já que esses resíduos são altamente poluentes. “A principal limitação é o excesso. Por isso, essas ferramentas são fundamentais para definir doses corretas e evitar problemas ambientais”, acrescentou. As plataformas processam informações da análise química do solo, características do dejeto ou da cama de aviário, cultura a ser implantada e produtividade esperada. A partir disso, calculam doses adequadas, respeitando critérios agronômicos e ambientais.
“Essas ferramentas atendem a uma demanda histórica da agricultura paranaense, especialmente em regiões com alta concentração de suinocultura e avicultura. O uso correto desses resíduos amplia a eficiência produtiva e reduz os riscos de contaminação do solo e da água”, conclui Zanão Jr.
Os sistemas podem ser acessados no endereço www.sircaesirdes.com.br. O usuário insere os dados solicitados pelo sistema e, ao final, recebe um relatório com a recomendação de dose, nutrientes fornecidos e alertas técnicos.
GID PRAGAS DO FEIJÃO - Disponível para download nas lojas Google Play e Apple Store, o aplicativo GID Pragas do Feijão foi concebido para facilitar a identificação de pragas nas diferentes fases de desenvolvimento da cultura, reunindo imagens, descrições técnicas e informações práticas que ajudam a reconhecer com precisão esses insetos nas lavouras. Intuitivo, o aplicativo permite a navegação por diferentes critérios, como a fase fenológica do feijoeiro ou características visuais das pragas, o que torna o processo de identificação ágil e assertivo. A proposta é reduzir dúvidas comuns no campo, evitando diagnósticos equivocados e contribuindo para um manejo mais eficiente.
De acordo com o pesquisador Humberto Androcioli, que participou do desenvolvimento da ferramenta, o ponto de partida foi uma dificuldade recorrente no campo. “O principal desafio que identificamos foi a dificuldade de produtores e técnicos em reconhecer corretamente se o inseto observado é ou não uma praga. O aplicativo foi desenvolvido para dar suporte a essa identificação, que é a base do manejo integrado”, destacou. A ferramenta organiza as informações de forma prática e acessível. “O usuário pode navegar por parte da planta afetada ou pelo tipo de inseto observado, com imagens e características que ajudam a confirmar a identificação, inclusive nas fases jovens, que são as mais comuns no campo”, afirmou Androcioli.
O aplicativo contempla dezenas de pragas associadas ao feijão e integra um conjunto maior de soluções digitais elaboradas pelo IDR-Paraná voltadas ao MIP (Manejo Integrado de Pragas), contribuindo para reduzir aplicações desnecessárias de agroquímicos e preservar os inimigos naturais. Além da identificação, o aplicativo orienta o usuário sobre a ocorrência das pragas ao longo do ciclo da cultura, permitindo uma leitura mais estratégica da lavoura. “A ideia é que o usuário possa reconhecer o que está vendo e, a partir disso, fazer o acompanhamento adequado”, concluiu o pesquisador.










